o ideal de sociedade platonico-aristotelico

Platão
Platão é autor de vasta obra filosófica, porém toda a sua obra é norteada sobre a chamada teoria das ideias, isto é, o mundo está repartido em dois planos um o ideal( o das ideias) e o mundo das sombras, no qual se reflecte o mundo ideal, por isso, para Platão, o nosso mundo, não passa de reflexo ou repetição do que já existiu sobre o mundo ideal. O homem por possuir corpo e alma pertenceria aos dois mundos, porem a alma goza de primazia sobre o corpo pois a alma é anterior ao corpo, e antes de aprisionar-se nele, pertenceu ao mundo das ideias.
A reflexão sobre a ordem social é feita em Platão na sua obra a república. Aqui Platão fundamentalmente questiona-se sobre a sociedade ideal e dos mecanismos que possam conduzir a polis a constituir uma sociedade justa.
Tal sociedade é constituída por três classes (os governantes, os guardiões, os artesãos), cada membro da sociedade pertence a cada uma destas classes de acordo com as suas aptidões. Cabe a educação determinar, ou apurar as aptidões de cada indivíduo. Tal aptidão é reflexo do tipo de alma que cada um tem, uma vez que a alma tem três dimensões (alma racional, irascível e concupiscente). Apesar de todos os homens terem estas três dimensões, só pela educação é que se poderá determinar o tipo de alma que predomina mais sobre cada um.
Nesta ordem de ideias, a alma concupiscível, movida por desejos e apetites corresponderia aos artesãos ou trabalhadores (a classe mais baixa da polis) a alma irascível movida pela coragem corresponderia aos guardiães (classe intermediária) e a alma racional distinta das outras por ser movida unicamente pela razão corresponderia a classe dos governantes (classe superior).
Para o nosso contexto, quando abordamos a questão da justiça subsiste a ideia da equilibrada distribuição de bens sobre os membros da sociedade. Todavia, para Platão justiça corresponde a necessidade de que cada um reconheça o seu lugar na sociedade segundo a sua própria natureza, não ocupando o lugar que não lhe corresponde. É só admitindo este conceito de justiça que Platão acredita que a sociedade pode ser considerada bem organizada.
Em síntese podemos afirmar que o ideal de sociedade em Platão não tem como intenção abolir o sistema de classes, já existentes na polis, mas sim reformulá-lo tendo em conta a natureza de cada elemento da mesma polis, e nesse sentido a educação desempenha um papel muito importante pois ela é o ponto de partida para o estabelecimento da natureza de cada um. Mas também devemos perceber que apesar de bem elaborada ela tem limitações pois a polis ideal de Platão não contempla as crianças (que pertencem ao estado e não aos seus progenitores) as mulheres (vistas como meros instrumentos de procriação e educação inicial dos filhos) e muito menos os escravos e estrangeiros (chamados metecos). Cabe ao filósofo exercer a função de rei por este se movido pela sabedoria e servir se e guiar se simplesmente pela razão no seu quotidiano, só por ele é que era possível governar correctamente a polis.
Aristóteles
Se com Platão a filosofia já havia alcançado extraordinário nível conceitual, pode-se afirmar que Aristóteles, pelo rigor de sua metodologia, pela amplitude dos campos em que actuou e por seu empenho em considerar todas as manifestações do conhecimento humano como ramos de um mesmo tronco, foi o primeiro pesquisador científico no sentido actual do termo.
Dotado de logos, “palavra”, isto é, de comunicação, o homem é um animal político, inclinado a fazer parte de uma polis, a “cidade” enquanto sociedade política. A cidade precede assim a família, e até o indivíduo, porque responde a um impulso natural. Dos meios sobre os quais o homem pode se encontrar, a família, a tribo, a polis, só esta última constitui uma sociedade perfeita, pois a polis é o fim e a causa final da associação humana. Os pressupostos de uma sociedade bem ordenada são expostos em Aristóteles nas suas obras a política e na ética a Nicómaco (livros VIII e IX).
A argumentação de Aristóteles em relação a possibilidade de uma sociedade bem ordenada parte do pressuposto de que toda a acção humana dentro da polis concorre sempre para o bem, e o somatório do bem a que cada um busca deve tender de forma conjunta a um supremo bem, que seria a meta de toda a polis, tal supremo bem corresponde a felicidade.
Neste sentido, cabe a cada um na sua interacção com o seu semelhante encontrar a melhor forma de alcançar a felicidade, necessária para a harmonia social. O caminho para o alcance da felicidade passa necessariamente pelo amor que cada um tem, de tal amor deve brotar a amizade ao seu semelhante.
Ora, Aristóteles distingue três formas de amizade nomeadamente, a amizade por utilidade, amizade por interesse e a amizade pelo bem do outro. A primeira forma de amizade é estabelecido entre duas pessoas tendo como base as vantagens que cada um tira de tal relacionamento; na segunda forma de amizade nem sempre está explícito o estabelecimento de tal relação ou pode dar se o caso de o interesse estar apenas em uma das pessoas, isto é neste tipo de amizade a troca de favores pode não ser recíproca e por isso as vantagens podem ser alcançadas as vezes por um dos que participa de tal amizade, na terceira forma de amizade a interacção entre as pessoas é movida unicamente pelo interesse em salvaguardar o bem-estar do amigo, sem esperar nada em troca, um aspecto distintivo deste tipo de amizade é o facto de os amigos serem, segundo Aristóteles, pessoas do mesmo nível (em termos de virtude).
Pela forma como se caracterizam Aristóteles defende que existem duas espécies de amizade: umas más (por utilidade e por interesse) e outras boas (pelo bem estar do outro). De todas estas formas de amizades a mais baixa 8 se quisermos a mais desprezível) de todas é a amizade por interesse, pois nesta esta é claramente movida por interesses mercantis ou de mero lucro e, pelo contrário a mais perfeita de todas as amizades é a amizade pelo bem-estar do outro pois é movida simplesmente pelo desejo de ver o bem-estar do outro sem se esperar ganhos ou retorno da pessoa amada.
Para Aristóteles os regimes políticos caracterizam-se pela solução que oferecem às relações entre a parte e o todo na comunidade. Há três formas boas: monarquia, aristocracia e democracia (um compromisso entre a democracia e a oligarquia, mas que tende à primeira). À monarquia interessa basicamente a unidade da polis; à aristocracia, seu aprimoramento; à democracia, a liberdade. O regime perfeito integrará as vantagens dessas três formas, rejeitando as deformações de cada uma: tirania, oligarquia e demagogia. A relação unidade-pluralidade aparece, ainda, sob outro aspecto: o da lei e da concórdia como processos complementares.
Em síntese podemos afirmar que para Aristóteles o homem não pode ser percebido fora da polis pois constituindo sociedade e interagindo com o seu semelhante é que o homem tem a possibilidade de satisfazer as suas necessidades que concorrem para a sua sobrevivência e aperfeiçoamento, que o levarão ao alcance da felicidade, querida por toda a sua sociedade. Mas também para Aristóteles a ordem social só pode ser alcançada tendo como pressuposto a amizade entre os homens.

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